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domingo, 22 de julho de 2012

ARTIGO



Aula de História: O Futuro do PT




(Lúcia Hippólito)


“Nascimento” do PT:



O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.

Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento e um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.



“Crescimento” do PT:



O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.



O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.

O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.

Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.
Tudo muito chique, conforme o figurino.


“Maioridade” do PT:



E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

Pessoas honestas e de princípios se afastam do PT.


A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Junior.

Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.

Os militantes ligados a Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida, Frei Betto.

E agora, bem mais recentemente, o senador Flávio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.

Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.


Quem ficou no PT?



Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.

Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.

Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado. Cavando benefícios para os seus. Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada.


                                                                                                                                    Lucia Hippolito



sábado, 21 de julho de 2012

ARTIGO



SEM AULA E SEM SALÁRIO


Por:   Ruy Medeiros.

Gosto de Bertold Brech, mesmo quando seu nome vem escrito como Bertolt. Quando se trata de violência sempre me vem à mente versos que já repeti e que continuarei repetindo:


Do rio que tudo arrasta

se diz violento
Mas não se dizem violentas
as margens que o comprimem.
Paulo Cesar de Souza traduziu os versos de forma diferente:
A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito de rio que o contém
Ninguém chama de violento.

A lembrança de Brecht vem por conta da atual greve dos professores da rede pública estadual. Por quê?

Leio, vejo e ouço: Governo e seus preprepostos manifestam seu repúdio, seu desconforto e decepção com o fato de milhares e milhares de jovens estarem sem aula, e justificam o corte de salários dos nossos professores (nossos, sim, leitor). Tudo isso me violenta, e creio que agride a inteligência de muitos.

Se o governo estivesse mesmo preocupado com os jovens estudantes não teria deixado as coisas atingirem esse nível. A verdade é que o Estado não possui, nem implementa, política de educação que reverta o atual quadro. Ao invés disso, escolas são fechadas (vide, dentre outros os casos das Escolas Dirlene Mendonça e Maria Viana), o ensino público perde qualidade, pais se sacrificam e colocam seus filhos em escolas de rede privada. Também o Estado não tem política que pense no professor seriamente. Este é encarado como qualquer um (daí vem os contratos REDA), e não como responsável por instituição que pretende vincular pessoas e sociedades ao futuro (a aprendizagem sempre será utilizada no futuro) e que, por isso, é necessário à própria existência de todos nós. Não é algo que seja descartável ou improvisado.

Mas há uma onda perversa (mesmo!) que se revela nos momentos de greve: a tentativa de jogar professores contra a sociedade, denunciando que aqueles deixam crianças sem aulas, sem merenda, etc. Isso é revelador: uma sociedade contra o professor ou que o desprestigia não é sociedade que queira educação e o Estado que usa tal expediente compromete a educação. O leitor por certo não gostaria de ser educado por pessoas repudiadas pela sociedade. E é isso que o Estado quer dizer: não acredite neles (portanto não acredite na rede pública de ensino), assim será melhor para encher a rede privada, para fechar as escolas, para violentar o futuro ( o futuro é sim violentado, quando se violenta potenciais).

Esse discurso , que compromete a educação é violência contra todos nós, pois nos condena a ver a sociedade presa aos interesses privativistas em matéria de ensino e assistir o caráter desse ser dobrado em direção àquele mesmo ensino já denominado de maceteiro (que substitui com galas a “decorebagem” ). Mas compromete o ensino à medida que desqualifica os principais agentes desse. Isso pode surtir efeito político imediato. O Estado diz que os professores são culpados, desqualifica-os, mas com isso comete crime contra a educação. Está visto.

Em verdade, os salários achataram-se. Escolas foram fechadas ou sucateadas. Salas foram reunidas. E, nesse momento, em que laços de solidariedade e mudanças no seio das famílias dificultam o trabalho do professor, que precisa ter condições para bem desempenhar seu ofício, precisa estudar para entender esse seu novo alunado, formular estratégia, ver o que pode dar certo para dotar os educandos de instrumentos de autonomia para continuar estudando.

Mas aí está a greve. Apesar do desejo do Estado de jogar a sociedade contra os professores, isso não ocorreu, a sociedade não protestou, por dois motivos principais, eu penso (sei que há outros): a) os pobres a quem a desastrada educação pública passou a ser destinatária (os menos pobres já estão na escola particular) não se sensibilizaram porque percebem que lutar contra miséria dos outros é combater contra sua própria miséria; b) já não vê grande efeito no tipo de educação oferecido pelo Estado e imposta aos professores como seu modo de fazer(como, aliás, parece ser desejo de governantes).

Por outro lado, a greve não cresce por seu estilo sindical. Os professores não entenderam ainda que sua luta exige um novo tipo de greve: referenciada na sociedade, com a sociedade, formulando projeto, que também seja desta, - de educação para todos, com mais destinatários e sem fuga de estudantes, uma educação que para os pobres não aponte apenas a misera contribuição do bolsa família ou do benefício assistencial. Urge construir comitês, em cada lugar, de defesa e transformação da educação pública. O horizonte deve ser mais largo. Afinal, como dizia Cazuza – “meus inimigos estão no poder. Ideologia, preciso de uma prá viver”.

domingo, 1 de julho de 2012


REFLEXÕES SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES DA REDE ESTADUAL

Por Gislaine Tavares
O texto é longo, escrito por mim e devido à emoção deve conter alguns erros perdoáveis. Só preciso que me leiam.

Eu raramente mando algo para meus amigos, mas quando envio é do tamanho do que sinto na hora de escrever e hoje, véspera de 02 de julho – Independência da Bahia – acordei particularmente inspirada e com vontade de colocar meus amigos para ler minhas “bobagens”.

Por que este “Brasil Carinhoso” é tão malvado com seus educadores?
Estamos há mais de 70 dias em greve, 3 meses sem receber salário e nenhuma perspectiva de ver este governo cumprir a lei e o acordo feito com a categoria. Diante desta situação eu fiz algumas reflexões:

(observem que minhas razões estão expostas didaticamente – sou professora ...rs)

1º. Logo de início tivemos os salários cortados e representantes do governo já espalhavam que a greve era ilegal. Engraçado como a justiça é ágil contra trabalhadores que só têm a palavra sincera para se defender. Vejo políticos, traficantes e bicheiros disfarçados de políticos e mais uma fileira de pseudos qualquer coisa desviarem dinheiro com tal quantidade de zeros que a minha parca matemática não dá conta de esclarecer o valor e como se pronuncia. Isto sem contar com a série de crimes cometidos em nome do dinheiro alheio e o que acontece nestes casos? Gasta-se mais uma tonelada de verbas públicas para encobrir os meliantes, que continuam com seus gordos salários, roubando em outras cercanias.

2º. Os diretores das escolas públicas baianas são eleitos através do voto direto da comunidade estudantil (ou será que eu fui acometida por alguma enfermidade mental e brinquei de votar nas eleições para direção?) Ai que alívio, eu estou normal, o DEPUTADO ESTADUAL ROSEMBERG PINTO, do PT, disse isso na Assembleia “ordinária” (no sentido pejorativo mesmo), do dia 12/06, que este governo Jacques Vagner nos premiou com a eleição para Diretores, então porque estes colegas eleitos com o nosso voto agem como se cargos de confiança fossem? Medo? Vício? Alguma fantasia secreta?

É muito fácil dizer: eu estou Diretor, mas sou professor e agir como algoz ameaçando os colegas de perderem a carga horária ou moleques de recado do governo, tentando colocar os alunos contra os professores. Vejam que coisa interessante, a escola é a primeira instância onde o bullying - toda a violência não física, todo o tipo de agressão e condutas verbais, desde os simples insultos, a fazer piadas e gozar com o outro, o uso de alcunhas cruéis, ridicularizar, etc.. (que agora fará parte do novo código penal) deve ser combatido com veemência, tem sido àquela que o incentiva através de alguns de seus representantes, que afirmam que nossa greve é ridícula, que estamos morrendo de fome pelo corte de salário e por isso voltaremos logo, que queremos aparecer, que somos vagabundos. Estas criaturas se esquecem de que retornarão, num tempo não muito longo, para a posição de origem, a não ser que os conchavos sejam bem amarrados e dali passem para, enfim, um cargo de confiança de verdade.

3º. Eu aprendi desde o berço, com minha família, que mentir é uma falta gravíssima e muitas vezes ouvi da minha mãe: “Gila, fale a verdade, porque quem não mente não merece castigo e quem mente não merece confiança”. Este ensinamento eu passei para meus filhos, meus alunos e ainda repito a frase de minha mãe, textualmente, sempre que a ocasião pede. Daí eu me pergunto: como podem ser veiculadas mentiras deslavadas em nome do Governo do Estado, no intuito de jogar a comunidade contra os professores e nada acontecer? Será que só a Lei do Retorno está do nosso lado e por isso teremos que esperar que ela atue?

4º. Os REDA e PST foram convocados a assumirem nosso lugar, caso não retornemos dia 03/07, mas apenas para “darem” aulas nos 3º anos. Fico impressionada com a preocupação do governo, para não dizer abestalhada. Quer dizer que só quem está no 3º ano é importante? Eles perderão um ano e os outros? Não perderão um ano também? Se for para fazer bonito em tempos de disputa de votos, os outros alunos podem não ter título de eleitor em função da idade, mas suas famílias votam. Será que estes colegas aceitarão esta situação? Se aceitarem, começam mal na profissão, ocupando o lugar de alguém que está na luta por melhores condições de trabalho. Ao invés de fortalecer o movimento, tentam destruí-lo.

Não entendi direito como funcionam os tais aulões, já iniciados em Salvador. Coloca-se em cima de um palco professores (professores????? Eu li direito? Eles, professores, ajudando a furar a greve da categoria que se dizem pertencer?) que se revezam no uso do microfone para uma plateia de 400 alunos e assim minimizam os efeitos da greve. Hãããããããã... como assim? A gente corta um dobrado para ensinar 40 alunos, onde se tem que conhecer cada um, saber os seus nomes (para não baixar sua autoestima), valorizar suas aptidões, respeitar suas diferenças individuais e sua origem, caso contrário, somos monstros que massificam os jovens, mas eles podem? E o atendimento individual? E as dúvidas como são esclarecidas? E fato de que não posso só falar, mas tenho que diversificar a forma de apresentar os assuntos? Estão fazendo dinâmicas também?

Estão previstos 384 "aulões" em Salvador e no interior do Estado. Para organizá-los, o governo assinou contrato emergencial (sem licitação) de R$ 1,5 milhão com a empresa Abais Conteúdos Educativos & Produção Cultural Ltda. A empresa fechou outro contrato com o governo, de R$ 1,9 milhão, para fazer 175 programas de TV com temas do Enem e de vestibulares. (fonte Folha de São Paulo). Hã de novo... como assim de novo.... este dinheiro saiu de onde? Não há dinheiro para o cumprimento da Lei do Piso e há dinheiro para enganar o povo? Fingir que ensinam?

5. Penso naqueles que estão furando o movimento e recebendo seus salários. Suas consciências estão tranquilas? Estão fazendo suas compras e pagando suas contas sem nenhum remorso? Se tivermos algum ganho, quem não fez greve vai abrir mão? Como podem olhar para seus alunos e dizerem que eles têm que lutar pelo que acreditam, que nunca devem desistir do sonho, que trair é um ato nojento? Que tipo de modelo estes colegas são para seus alunos? (lembrei-me do pai que diz para o filho que drogas fazem mal, enquanto degusta uma bebida de álcool ou fuma um cigarrinho).

A greve perdura por conta, também, dos que insistem em permanecer nas escolas, furam o movimento, enfraquecem nossa luta. Se a greve fosse 100% já teríamos obtido os resultados esperados, mas, infelizmente, como em toda a categoria, existem aqueles pseudo-colegas que não gostam de quem gosta da educação, que não respeitam os alunos como nós respeitamos, que não se respeitam como nós. Furam a greve alegando que estão pensando nos alunos... se envergonham de assumir que estão lá para receberem os seus salários e prolongarem o sofrimento de quem luta por uma educação melhor.

Nossos alunos da rede pública não são prejudicados apenas nas greves, mas desde que se matriculam nas séries inicias. Se seus professores adoecem, saem para fazer um curso ou morrem, eles ficam sem aulas, até por semanas e quando o substituto chega, geralmente, é alguém despreparado, sem nenhuma experiência de sala de aula, só para “acalmar os pais”.
6. Brinquei algumas vezes que a Bahia sofre do mal da cabeça branca (que gerou um forró gostoso feito pelo colega Davino), pois quando vim morar aqui, saindo do Rio Grande do Sul, só se falava no Toinho Malvadeza – o Cabeça Branca – mas este já foi assombrar em outras dimensões, agora veio este outro que dispensa comentários e como dizia o próprio Malvadeza: “o erro de um dia paga-se em 4 anos”, ainda bem que o tempo não para e a memória é boa.

Estamos em greve porque amamos a Educação e amamos nossos alunos.
TRAIR A EDUCAÇÃO? NUNCA NA GALÁXIA (como diria meu amigo Raphael, de Petrolina)

terça-feira, 26 de junho de 2012



COLEGAS, VAMOS REFLETIR...



  Caros colegas, estamos entrando num dos momentos mais interessantes da greve. Não me refiro apenas ao fato de estarmos há mais de dois meses no movimento apesar dos cortes de salário, da decisão do STJ, das ameaças autoritárias do governo, da possível contratação de PSTs para substituir os professores e da propaganda enganosa, mas ao fato de estarmos nos aproximando do início da campanha eleitoral municipal em julho. Momento em que os aliados políticos do governo irão pressioná-lo para negociar com os professores para o fim da greve.

A base aliada, certamente, não quer assumir o ônus de estender a paralisação por mais tempo. Sabemos que a oposição irá tirar o máximo de proveito da greve para criticar o governo. Ainda que se trate de oportunismo, pois não podemos acreditar que seria diferente com a oposição no poder, não podemos perder a oportunidade de fortalecer o movimento e deixar passar o momento favorável aos professores.

Por isso, acredito que devemos insistir com os colegas, que retornaram para suas respectivas escolas, para que repensem suas posturas e retomem a luta. É preciso não deixar o movimento enfraquecer, reanimar os que estão desanimados e espalhar pelas redes sociais a importância da continuidade da greve.

Se retornarmos agora iremos abrir mão de uma medida histórica na valorização do professor do ensino básico - a Lei do Piso. Ela está, ainda, longe do ideal. Precisa ser aperfeiçoada, avançar para outras direções, mas não se pode deixar de reconhecer que é um avanço importante na nossa carreira. E, recuarmos agora é abrir mão de uma conquista das mais importantes, inclusive, sem precedentes na história da educação no Brasil.

Sabemos das dificuldades de mobilização da nossa categoria, mas não podemos deixar que o governo Jacques Wagner nos trate como uma categoria de imaturos e sem consciência da realidade. É preciso desmentir a propaganda insidiosa de que a culpa pela suspensão das aulas na Bahia se deve a nossa categoria intransigente, pois a intolerância é do governo que não reconhece o erro por descumprir uma lei. Assim, firmeza companheiros! 

domingo, 24 de junho de 2012


GOVERNADOR, A NOSSA GREVE É POLÍTICA, SIM!



Sim, respondemos ao Governador que não só a greve dos professores é de natureza política, como a construção das estradas, da Fonte Nova , a Copa, e mais, toda e qualquer ação humana, é de ordem política; pois que saiba o Governador Jacques Wagner, que a palavra "política" vem de Polis, de origem grega, aonde eram vivenciadas as experiências, todas sociais, portanto, inter-relacionadas, portanto, políticas...



Sim, porque humanos, somos seres políticos. Somos professores, temos autonomia e respondemos por nossas atitudes. Fazemos greve para que uma lei seja cumprida e nosso direito garantido, o que constitui uma ação política. Qual o problema que assim o seja?



Problema gravíssimo é o governo do Estado não cumprir a lei; problema gravíssimo é o governo do estado, com o dinheiro público, pagar propagandas que atentam à lisura de qualquer governante; problema gravíssimo é o governo, em suas explanações televisivas, afirmar que concedeu um reajuste que não corresponde à verdade dos fatos, pois se utiliza de um índice que não é verdadeiro, faz uma soma propositalmente incorreta, e afirma à população desavisada, de que já temos o reajuste que reivindicamos!!!



Por que estaríamos em greve, Governador?

Por que enfrentaríamos 3 meses sem salário, Governador?
Por que teríamos o ônus de nosso alunado sem aulas, Governador?
Por quê teríamos nossas férias comprometidas, Governador?

O retrocesso que representou o seu governo ao, além de não cumprir a lei do Piso, fazer um achatamento na Carreira do Magistério - transformando remuneração em subsídios- talvez respondam as perguntas que lhe são dirigidas...coisa, aliás, muito bem manipulada, dada a sua complexidade, quando é apresentada à população, na grande mídia.

Somos uma categoria em greve,responsável no exercício de sua profissão e em por suas decisões, qual seja, a greve.

Não endossamos qualquer que seja a responsabilidade atribuída ao nosso sindicato, independente dos interesses políticos do mesmo, à greve e sua manutenção.

É lamentável que a distância que separa o Governo de seu povo, o leve a tal equívoco. Ou ainda pior, que o faça ter pronunciamentos nitidamente convenientes, ao afirmar que a greve é fruto da manipulação sindical e Partidária.

A responsabilidade única pela manutenção de nossa greve é a persistência de seu governo em não cumprir uma lei federal, a Lei do Piso. Que como bem diz a mesma, é o mínimo a que o professor tem direito de receber e que o senhor tem se negado a pagar.

Bem sabemos que os Partidos da base aliada do seu governo têm como prática a manipulação de seu eleitorado. Isto é notório.

Como é notória a tentativa de subestimar o discernimento do professorado, o que aliás é bem conveniente politicamente para,assim, legitimar-se numa postura ilegal, intransigente e autoritária.

O Governo do Estado da Bahia, dessa forma, só depõe contra si ao não observar a Lei do Piso, ao retroceder em conquistas trabalhistas, ao mentir para a população, ao subestimar a autonomia do professor em sua decisão de decretação e manutenção da greve, conforme direito garantido em nossa Constituição.

Assim, reafirmo que o cumprimento da Lei do Piso e a revogação de lei antitrabalhista e inconstitucional aprovada pela Assembleia Legislativa da Bahia, é o que nos faz permanecer em nosso movimento paredista.


segunda-feira, 4 de junho de 2012


RECADO PARA WAGNER

Mandem dizer à sua excelência o governador, que somos mais do que excelência, muito mais, SOMOS PROFESSORES!!!, não queira ele afrontar a nossa inteligência. Há uma lei a ser cumprida. Além disso, há um acordo (desnecessário, posto que estamos tratando de uma lei) assinado pelo governo garantindo o cumprimento da Lei. A que ponto chegamos neste país, a lei por si só não basta, é preciso fazer um acordo para garantir o seu cumprimento. 


Como não bastasse isso tudo, agora o excelentíssimo retira da cartola um arremedo de proposta. Por acaso ele quer rasgar o acordo, cuspir na letra da Lei, querendo nos fazer passar por idiotas? 



Para termos direito, em parte e parcelado e daqui há quase um ano ainda, ao que a Lei do Piso estabelece, teremos que passar pela humilhação e, certamente pelos escabrosos entraves que a SEC vai estabelecer, fazendo cursos?!?!? Surreal!!! 


O governador parece demonstrar que não se importa com leis e regras. Alguém precisa avisá-lo de que já temos um plano de carreira; que avanço é conquista suada, não é aumento de salário; e temos conseguido avançar na carreira muito à custa do nosso próprio sacrifício e arcando com a maior parte dos custos, afinal na maioria das vezes sequer somos liberados para cursos de aperfeiçoamento.

NÃO PODEMOS ACEITAR EM HIPÓTESE ALGUMA trocar aumento de salário por avanço na carreira, já basta o suplício que é conseguir ter acesso a ele. CONTINUEMOS, POIS EM GREVE, PELO CUMPRIMENTO DA LEI.

segunda-feira, 7 de maio de 2012



LUTAR SEMPRE

Não é preciso deixar-se intimidar com as retaliações do governo. Resistamos um pouco mais. A história é terreno de disputas, um campo de forças contraditórias. Sempre houve luta, resistência, mobilização, em maior ou menor grau. Elas sempre surgem quando aumenta a indignação e quando não é mais possível suportar a indiferença.
       De algum modo, a última luta, apesar de parecer igual e inviável, apresenta sempre novas configurações, apesar de apresentar os mesmos personagens e não é possível adivinhar os seus desdobramentos. 
         Sabe-se das causas: recuperação de perdas salariais. E por trás disso há uma forte motivação política em sentido abrangente. Uma política que busca a visibilidade, a participação, a anunciação, a conscientização. 
           Por isso, uma luta de educadores, uma luta de formadores de opinião, uma luta de quem busca o respeito, a dignidade, de quem tem contas a pagar, viagens a fazer, cursos a realizar, filhos a educar... E isto tudo tem um custo. A luta é para aqueles que desejam estampar no peito o orgulho de ser professor e não a vergonha de ter feito uma licenciatura.

          Ainda que essa luta seja vista como mais uma, continuaremos a lutar, pois já aprendemos a lição de que não se conquista nada passivamente, como se fosse um grande rebanho a espera de milagre. A questão está no valor da categoria e na mentira do governo. Nós valemos muito sozinhos e juntos muito mais. Porém, se a luta parece não ser muito mobilizadora, que usemos a criatividade. 
         A arte, que não tem papel nenhum, a não ser o de ser arte, pode ser tomada por empréstimo como recurso para o protesto. É na luta que o homem se descobre como ser social e histórico. É na crise que se faz a diferença. 
          De repente, na luta, surgem novos líderes, que podem ou não ter outras motivações, mas isso só contribui porque a coerência e incoerência sempre ficam patentes nesse jogo. A perda ou o ganho fazem parte do processo. O que não se pode é negar o direito de se reivindicar os direitos e de discutir a criação de novos. Enquanto isso, a gente pode rever os colegas de outras instituições, pode investir um pouco em arte, já que na loucura do dia-a-dia do professor instala-se uma quase amnésia cultural. Lembremos de Thiago de Mello que disse: “Faz escuro mas eu canto”.  

Professor Josué Brito – maio 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012


CARO COLEGA PROFESSOR,

Para Freire, “A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um movimento importante de sua prática docente, enquanto prática ética.” Essa reflexão nos faz pensar no momento em que vivemos, de tentativa de mobilização da categoria em torno de princípios, reivindicações, direitos...



  Após vários dias de greve, e diante de tanta pressão, tentativas de intimidação, propagandas ameaçadoras na televisão, descaso de segmentos importantes da sociedade, corte de salário, discursos e práticas contraditórias de muitos que deveriam se posicionar eticamente do nosso lado, é preciso destacar a importância de atitudes éticas.

É preciso exigir isso dos políticos, daqueles que ocupam cargos hierarquicamente superiores, mas também é preciso lembrar a necessidade da ética na sala de aula, com nossos colegas e na nossa prática política - no sentido mais amplo do termo – tanto em sala de aula, como na nossa vivência social.

Nesse sentido, cabem alguns questionamentos: é ético decidir sozinho, diante das tentativas de construir um fórum coletivo de debate e de deliberações (Assembleias)? É ético encarar a greve como um momento de folga, enquanto, um pequeno grupo tenta, por meio de atitudes “quixotescas”, manter viva a chama do movimento? É ético defender, na sala de aula, a importância da participação política, do engajamento nos movimentos que visam transformações sociais, e na prática defender apenas bandeiras individuais e não contribuir com o movimento?

Freire, ainda, nos lembra que “é como profissionais idôneos - na competência que se organiza politicamente que está talvez a maior força dos educadores – que professores e professoras devem ver-se a si mesmos e a si mesmas”.

Esse momento, apesar de todas as dificuldades, avanços e retrocessos, equívocos e acertos, constitui o momento ideal de mostrar para a sociedade e para nós mesmos nosso valor, nossa firmeza de princípios, nossa capacidade de organização, nossa competência e comprometimento político. Não podemos mais nos ver como criaturas abatidas, cansadas e vítimas de uma sociedade que vê a educação como algo supérfluo e irrelevante.

A luta em prol de uma educação de qualidade e pela valorização do professor só será “abraçada” pela sociedade, segundo Freire, quando primeiramente nós, educadores, acreditarmos que “a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável”.

Defender melhorias salariais não é vergonha, constitui o ponto de partida para discussões mais amplas que extrapolam a questão financeira. Somente a partir daí, é que poderemos acreditar em políticas públicas sérias para a educação. 

Vitória da Conquista, 03 de maio de 2012.


NÓS, PROFESSORES DO ESTADO, SOMOS TODOS BANDIDOS!

Quando ocorre um sequestro em cárcere privado é natural que a polícia envolvida no processo de negociação, depois de exauridas todas as formas de negociações, comece a privar ou suspender os elementos que garantem a sobrevivência humana.  Corta-se o fornecimento de energia e de água e evita-se a entrega de alimentos. Com isso, tenta-se vencer os bandidos pelo cansaço e pela perda gradativa dos sinais vitais humanos.

 É, sem dúvida, uma forma radical para se obter êxito em uma diligência policial desse tipo. Mas é um mal necessário. Existiria alguma outra estratégia policial para tais situações? Dados históricos mostram que não. Não existe outra forma alvissareira para lidar com tais bandidos!

 Hoje, nós, professores da rede estadual de ensino da Bahia, recebemos o mesmo tratamento dado a bandidos de alta periculosidade quando envolvidos em sequestro em cárcere privado.   O governo coloca em ação contra os professores a mesma tática policial: o corte do salário, que representa o corte da nossa alimentação (em breve, não teremos mais como comprar alimentos);   e representa também  o corte da energia elétrica e da água (em breve, não teremos   mais  como pagar  as  contas desses  serviços).

 É a tática do governo e dos deputados aliados a ele: tratar os professores como bandidos!  Não! Pior que bandidos!   Basta lembrarmos dos casos  graves de sequestros  ocorridos  no país  ou pelo mundo:   antes  do corte  dos direitos fundamentais da sobrevivência humana, há um longo e constante  processo de negociação, várias tentativas de acordo são feitas até que, não tendo mais possibilidades, decreta-se a privação.

No caso nosso foi pior: não houve negociação. Esta é a vil e ferrenha ação do governo estadual para vencer a nossa categoria.  Querem vencer-nos pelo cansaço, pela perda dos nossos sinais vitais e de nossas consciências. Certamente, acham que pela inanição e pela privação dos direitos sagrados de sobrevivência nós voltaremos à nossa faina diária com as mãos abanando.

 Hoje, aos olhos dos nossos governantes, somos bandidos. Que crime cometemos? Lutar pela garantia de um direito que teimam em negar à nossa categoria. Lutar pela qualidade do sistema de educação pública estadual. Esses são os nossos “crimes”!

 A que ponto chegou! Veja como estamos sendo vilipendiados, achincalhados pelo Estado. Agora estão privando-nos dos direitos fundamentais de sobrevivência! É tempo de reflexão. Até quando vamos aguentar tudo isso?

 O fragmento do poema de Eduardo Alves Costa é hoje muito real à nossa realidade. E serve-nos também para essa reflexão.

“Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”


Vitória da Conquista, 03 de maio de 2012.

MOÇÃO DE REPÚDIO AO LEGISLATIVO BAIANO

A greve dos professores do estado da Bahia tem sido uma aula, cujo conteúdo deve ser aprendido por todos os educadores e pela sociedade. Por um lado, aula de coragem e rebeldia por parte dos docentes engajados no movimento grevista; por outro lado, de posicionamentos e atitudes indignas e vergonhosas por parte do poder público estadual e seus aliados.

Entre os protagonistas dessa triste aula destacam-se os representantes políticos da região sudoeste no legislativo estadual. Os referidos deputados, apesar de portarem o diploma de professores, são indignos de exercerem esse nobre ofício, considerando que a lição que transmitiram compromete o nome da categoria, envergonha os docentes.

Triste aula essa que ensina indivíduos a serem, não criaturas livres, socialmente responsáveis e conscientes politicamente, mas submissas, obedientes a regras injustas e a esquemas políticos que ferem os direitos que os trabalhadores lutaram arduamente para conquistar.

Tais indivíduos, bem como seus seguidores na esfera municipal, não deveriam mais se atrever a falar em “defesa da educação”; “importância do professor;” “preocupação com os alunos e com o movimento estudantil”. Falta-lhes idoneidade para “levantar esta bandeira”.

Não podemos esquecer essa aula que nos possibilitou entender melhor: a diferença entre o discurso e a prática; os limites impostos pela fidelidade partidária; os passos necessários para tornar-se capacho do governo, mesmo que isso implique em deixar de ser um representante político comprometido com a defesa dos interesses da sociedade.

Para concluir, é ilustrativo lembrar que, na Grécia antiga, as camadas poderosas, compostas pelos proprietários de terras, tinham a seu lado, serviçais, lacaios, chamados SICOFANTAS, que vigiavam seus pomares e quando os pobres tentavam roubar uma fruta para saciar a fome, eles gritavam para avisar aos seus patrões, defendendo-os e se voltando contra aqueles que faziam parte da mesma esfera social que eles, em troca de recompensas materiais e prestígio junto aos poderosos.

Esse papel, guardadas as diferenças históricas, infelizmente, não desapareceu. Muitos políticos estão aí, dizendo que defendem os interesses do povo, quando, na verdade, estão fazendo papel de Sicofantas. No entanto, é bom lembrar que o fruto da educação é tão doce que nos faz querer invadir esse pomar e, certamente, não haverá lacaio que nos impeça.

Vitória da Conquista, 03 de maio de 2012.

domingo, 22 de abril de 2012


COLEGAS,

Estamos em greve contra a apatia, o conformismo, o desrespeito, a descrença e o pessimismo. Sabemos que o processo de greve é difícil e ficamos angustiados com a pressão do governo, de seus agentes e de parte da sociedade, com as ameaças de corte de salários e com o peso da reposição. 

É comum ouvirmos o discurso de que a greve é um instrumento de luta historicamente superado e sem valor no mundo atual, em que a educação não é tratada como pilar de sustentação social. No entanto, é preciso reavaliarmos o papel da greve e o comportamento daqueles que a fazem. 

O ato de parar significa muito, num mundo em que o “tempo” é mensurável e tem valor excessivo, pois permite a geração de capital (dinheiro). Parar subverte a ordem, contraria a lógica do capital, prejudica a engrenagem do sistema. 

Nós, professores, como Chaplim no filme Tempos Modernos, marchamos diariamente para as nossas unidades escolares, e lá seguimos o ritmo dos sinais, das sirenes. Entramos em salas de aula e saímos de forma cronometrada, damos aulas em excesso e, nessa engrenagem, em que o que importa são os números e não a qualidade nos desumanizamos e passamos a nos comportar como “máquinas de dar aulas”. Máquinas que não podem quebrar, falhar, parar.

Diante dessa realidade, fazer greve é uma ousadia, pois esse ato rompe, mesmo que temporariamente, o ritmo do sistema, chama a atenção para nós e nos faz lembrar que: “não somos máquinas, homens e mulheres é o que somos”.

É claro que, hoje, dispomos de outros instrumentos de denúncia e de pressão a exemplo das mídias sociais, mas é importante valorizar o papel da greve como forma de protesto, porque escancara o inconformismo da categoria, expõe as falhas do sistema educacional e enfatiza a coragem do professor de quebrar o ritmo, mostrando a necessidade de reinterpretar a marcha do tempo, de seguir outros marcos reguladores, outros hábitos de ordem e organização, de olhar para nós mesmos e perceber nossas angústias, insatisfações e a força que temos quando nos unimos.

Portanto, professor, PARABÉNS pela coragem, inconformismo, esperança, engajamento no movimento, por sua contribuição (seja ela de que forma for), pela esperança. Essa é a melhor aula que ministramos, é a melhor lição que deixamos para os alunos, o melhor exemplo de cidadania. 


Vitória da Conquista, 23 de abril de 2012.


Coordenação LUTE-Sindicato

MARCADORES